Seguindo viagem...
A viagem de Viena a Bratislava dura uma hora apenas. Por sorte, a Leisha tinha visto um anúncio no metrô que dizia "Gratislava - mais barato, só grátis!"... era da Eurolines, uma empresa de ônibus famosa aqui na Europa. Fomos lá, custava só 5,50 euros... chegamos a tempo de pegar o ônibus (na verdade não muito bem a tempo, a gente ainda precisava sacar dinheiro pra trocar quando chegasse na Eslováquia, então eu perguntei pro motorista "quanto tempo eu tenho?!!" e ele só acenou com a cabeça "vaaai minha filha, eu te espero..." mó gente boa!!! Dai deu tempo! hehe).
No caminho, tinha um monte daquelas plantações de cataventos gigantes (vulgarmente conhecidos por geradores de energia eólica) que eu acho liiindooo!!! Tentei tirar foto até, mas não ficaram boas...
Estávamos indo, de fato, ao "leste europeu". Eslováquia... ooooohhh!!!! Já ficamos imaginando todos os vestígios comunistas, os prédios quadradões e.... bom, nada disso. Santa ignorância!!! Na verdade foi surpreendente. Assim que descemos na rodoviária e entramos um pouco na cidade (totalmente perdidos, a mulher da vendinha da rodoviária não falava uma palavra de inglês, muito menos de alemão) eu e o Fabinho tivemos a mesma curiosa impressão de que parecia com as ruas das cidades históricas de Minas. Ruas tortuosas de paralelepípedos, casinhas coloridinhas geminadas... eiras e beiras!
Conseguimos nos localizar no mapa e chegamos ao albergue. Aí já bem no centro... Crowne Plaza, bancos, prédios (calma lá, paulistanos, nunca tão altos como a gente pensa assim que ouve a palavra)... ficamos super bem localizados! No albergue, todo mundo falava inglês, tudo ótimo. Trocamos nosso dinheiro e fomos passear.
A parte turistica da cidade é um ovo. Vimos absolutamente todos os pontos numerados no mapa sem dificuldade, em uma tarde. A cidade é muito simpática, acolhedora... um contraste absurdo pra quem na mesma manhã estava em Viena! O centro da cidade é super bonitinho. As casas "oficiais" tem fachadas em sua maioria barrocas, assim como as igrejas (daí a sensação mineira...), tudo meio com cara de antigo... e a coisa que mais se destaca é um castelo que tem no meio da cidade. Não é um castelo especialmente bonito, mas a história é muito interessante. Se não me engano, está lá desde o século IX, quando os celtas dominavam a área (para mais informações, Wikipedia... vale a pena, juro!). Não pudemos entrar, porque estava em reforma. Mas a vista de lá de cima é muito boa... da pra ver a cidade inteira. Bratislava é dividida pelo Danúbio. De um lado, a parte histórica e comercial onde ficamos, do outro a parte mais residencial e também comercial. Essa outra parte não visitamos porque ninguém recomendou (nem os eslovacos). Uma ponte construida nos anos 70 liga as duas partes.
Depois do rolê eficiente pela cidade, voltamos pro albergue, nos arrumamos e fomos sair pra jantar. Nessa parada, conhecemos um casal canadense, meio bicho grilo, que estava no nosso quarto. Gente boa, conversamos um pouco e saímos. Jantamos num lugar bonitinho, preço razoável (infelizmente não hiper barato como esperávamos!! A Eslováquia pretende adotar o Euro a partir do ano que vem... os preços já estão todos ajustados!).
Na volta... tinha um cara X sentado na minha cama. Olhei com cara de "ei, minha cama!" e ele prontamente entendeu... e perguntou qual estava vaga. Apontei pra cama em cima do Fabinho (eram várias beliches) e ele pulou lá pra cima. Com roupa, sapato e tudo. Era um homem de uns 40 e tantos anos... ficou la em cima, deitado mas com a cabeça levantada, apoiada pela mão, encarando. Saimos pra escovar os dentes e eu disse pro Fabinho "eee to com medo... esse cara é estranho" e o Fabinho "ah Mari, deixa, não é nada"... então eu voltei pro quarto. E no mesmo segundo voltei pra me esconder no banheiro! As luzes do quarto estavam apagadas, mas dava pra ver que o cara estava na mesma posição e, pior, murmurando alguma coisa. Parecia que estava rezando, sei lá... bom, criei coragem e voltei com o Fabinho... que por sua vez entendeu o que eu estava falando e começou a ficar com muito mais medo... afinal o cara estava sobre ele! Fomos até a Leisha, que estava numa cama mais distante e ela disse algo como "agora só nos resta rezar!!!" (na verdade foi "ele deve estar rezando", mas só no dia seguinte entendemos).
Deitamo-nos, um pouco apreensivos... e de repente "MUAHAHAHAHAHA" - não era, definitivamente, uma reza!!!! Encolhidos... quase sem respirar, tentamos dormir. Assumo que estava tensa... mas consegui adormecer. Algum tempo depois BUUUUMMM BLUMCABLUM!!!!! Levantei num puta susto absurdo, o Fabinho quase morreu debaixo do lençol... o maluco, no meio da noite, ao invés de usar a escadinha da beliche resolveu pular de lá de cima!!! Pulou, tropeçou, cambaleou... aí o Fabinho "Mari, vem aqui, pelo amor de deus to com medo!!!" e eu "nem a pau, ta maluco, vai que ele volta!!!" e a gente continuou falando baixinho, até o cara voltar e os dois prontamente se encolherem de novo no canto da cama.
Acordamos.... VIDA!!!!! ESTAMOS VIVOSSSS!!!!!! hahah contando a história agora... parece bem ridícula. Mas a gente realmente não faz idéia de quem sejam as pessoas que estão com a gente num albergue... e a tendência é sempre pensar no pior, acho!
Acordamos, sãos e salvos.... e prontos pra ir ao último destino antes do retorno a Bayreuth... BUDAPESTE!!!
Até amanhã!!!
3 comentários:
Mari!
Sua história de mistério em Bratislava é hilária!
"Minha vida emocionante nos albergues"
Tô gostando !!!
Beijos
Mãe
HAHAHAHAHAH!
Olha, eu ja nao simpatizava com albergues... depois dessa eh que eu nao fico mesmo em um!
Bjo Mari!
Ai meu Deus! Cada história nesses albergues... To adorando! hehehe Só que eu dispenso esse tipo de susto qdo estiver viajando por aí... rs
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